Engenharia poética

Um post que publiquei em 2010 a respeito da minha paixão por pontes.
Fica aqui como um manifesto.

Foto: Rosane Nicolau

É fácil me agradar. Basta me levar para conhecer mais uma ponte. Ou me presentear com qualquer coisa relativa a pontes. Nas minhas viagens, não deixo de explorar as pontes dos lugares que visito. Gosto de vê-las do alto, atravessá-las a pé, passar de barco sob seu arco, fotografá-las de todos os ângulos. Se tivesse que apontar minha preferida, não saberia escolher entre a majestosa do Brooklyn, a buliçosa Howrah de Calcutá, a lírica Pont Neuf de Paris ou a “galeria” variada do rio Sumida, em Tóquio. 

Pontes são a poesia convertida em engenharia. Sua extensão metafórica é quilométrica. Elas aproximam pessoas, superam obstáculos, suprimem abismos, desvendam panoramas. Voam como pensamentos. São as primeiras a explodir nas guerras e as últimas a se percorrer quando se deixa um bairro, uma cidade ou mesmo um país. Como cenário externo de encontros de amor, talvez só percam para os banquinhos dos parques.

Update: Soube pelo meu amigo Julio Miranda, engenheiro, que pontes e viadutos são chamados de “obras de arte especiais”. Faz sentido em relação às pontes, mas tenho minhas dúvidas quanto aos viadutos.

Foto: Carlos A. MattosUm dos motivos que me levaram a Florianópolis na semana passada foi adicionar mais uma ponte a minha coleção de recuerdos. A ponte Hercílio Luz está em obras de restauração até o segundo semestre de 2012, daí que não pude trafegar no seu leito de ferro. Mas a contemplei de todos os ângulos possíveis. Floripa tem luxos como um serviço de atendimento a quem visita essa obra. Assim pude chegar bem perto do canteiro, com sua algaravia de metais, madeira e concreto.

Foto: Carlos A. MattosDiz a Wikipedia que a Hercílio Luz é a maior ponte pênsil do Brasil e uma das maiores do mundo. Inaugurada em 1926, foi a primeira ligação entre a ilha de Floripa e o continente. Descansa sobre as duas margens da baía um peso aproximado de 5 mil toneladas. Mas nem os números, nem os superlativos valem mais do que a festa de vê-la iluminada à noite, mesmo nesse período de restauração.

Abaixo, mais duas fotos que fiz da Hercílio Luz, sempre com a retilínea ponte Colombo Sales aparecendo ao fundo.

Foto: Carlos A. Mattos

Foto: Carlos A. Mattos

O post original: http://carmattos.com/2010/04/02/pontes/

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2 comentários sobre “Engenharia poética

  1. Mari Lasta 3 de março de 2018 / 00:01

    Adorei essa parte da Engenharia Poética. Posso usar num texto que farei para uma exposição sobre Pontes?

    “Pontes são a poesia convertida em engenharia. Sua extensão metafórica é quilométrica. Elas aproximam pessoas, superam obstáculos, suprimem abismos, desvendam panoramas. Voam como pensamentos. São as primeiras a explodir nas guerras e as últimas a se percorrer quando se deixa um bairro, uma cidade ou mesmo um país. Como cenário externo de encontros de amor, talvez só percam para os banquinhos dos parques”.

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    • carmattos 3 de março de 2018 / 00:17

      Claro, Mari. E por favor me mantenha informado sobre essa exposição. Quando e onde será?

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